O nome Operação Juízo Final, para a prisão de dirigentes de grandes empreiteiras, é muito pretensioso. O Juízo Final ainda está para vir. E não se refere, por mais armagedônico que pareça, ao envolvimento de políticos importantes no caso do Petrolão. O pior é a investigação internacional: não apenas a americana, mas de outros países em que tenha havido negociações suspeitas, seja de Bolsa, seja de compras e vendas, seja do que for. Um bom exemplo é o que já aconteceu na Holanda, que multou a SBM, entre outros motivos, por ter pago propinas em seus negócios no Brasil (e, fora do Petrolão, há as revelações da Siemens às autoridades europeias, o que obrigou os investigadores brasileiros a debruçar-se sobre o cartel do Metrô e dos trens urbanos nas gestões do PSDB em São Paulo). 

Nas investigações internacionais a possibilidade de pressões, de apresentação de dossiês contra denunciantes, é muito remota. Que essas coisas podem acontecer, podem; nada é impossível. Mas é muito, muito, muito difícil. E no Exterior não há o temor reverencial, nem a preocupação com a possibilidade de enfraquecer a legitimidade do Governo brasileiro. A investigação poderá atingir qualquer nível de poder. Como diria o então presidente Collor, "duela a quien duela".

Mas, até lá, teremos muito a aprender, e mais ainda a relembrar. Por exemplo, há pouco menos de dois anos, o hoje famoso Paulo Roberto Costa, o da primeira delação premiada, mostrava numa entrevista aquilo que considerava seu maior troféu: o uniforme laranja da Petrobras com o autógrafo do presidente Lula.

Furando poços

Vale a pena lembrar também o deputado Severino Cavalcanti, do PP de Pernambuco, que foi presidente da Câmara (e teve de renunciar por cobrar propina do restaurante da Casa). Numa discussão a respeito de cargos, Severino rejeitou o que lhe ofereceram e exigiu "aquele que fura poços". Considerando-se que Severino não sabe nada de perfurações petrolíferas, imagina-se que esteja interessado no poder que terá seu indicado. 

E tudo passou batido: ninguém quis saber qual o interesse do parlamentar nos poderes perfuratórios de quem indicasse.

Estarreça-se

A Mega-Sena acumulada sorteia, nesta semana, R$ 80 milhões. É o sonho de alguns milhões de brasileiros. E é menos de um terço do que um gerente, funcionário de médio escalão da Petrobras, Pedro Barusco, se comprometeu a devolver, nos termos de sua delação premiada. A devolução de Barusco é de R$ 252 milhões. 

Se um gerente junta essa quantia, quanto terá cabido ao primeiro escalão? 

Estarrecido? 

Barusco era gerente executivo de Engenharia da Petrobras, trabalhando com o diretor Renato Duque. Prometeu devolver mais que o total oferecido por outros quatro delatores premiados. No total, as devoluções atingem R$ 425 milhões, sendo R$ 252 milhões de Barusco e R$ 173 milhões dos demais. A conta bate?

Os maldosos

A presidente da Petrobras, Graça Foster, decidiu criar uma nova diretoria: a de governança, para implantar e fiscalizar boas práticas corporativas. Segundo o colunista Lauro Jardim (http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/), há quem brinque que a nova diretoria de governança será disputada por PMDB, PP e PT.

Boa notícia

Esta coluna divulgou, há dias, a informação de que o engenheiro Jaime Waisman, leitor desta coluna, tinha comprado no Magazine Luíza um aquecedor Britania, que queimou na primeira vez em que foi usado. A Britania não deu a menor bola ao cliente (que já pensava em recorrer ao Procon), deixando até de enviar as peças para o conserto à sua concessionária. 

Pois bem: assim que a notícia saiu, a jornalista Lisiane Marques, da assessoria Fonte, em nome do Magazine Luiza, telefonou a esta coluna, pedindo os dados do cliente. Enviou-lhe um aquecedor novo, em garantia, sem custo; e, diante da informação de que o aparelho estragado continuava na oficina, disse ao cliente para não se preocupar, que o próprio Magazine Luiza iria buscá-lo. Ótimo trabalho. E mais um bom exemplo: o atendimento aos clientes do Magazine Luiza está diretamente ligado à Presidência, com ordem explícita de resolver rapidamente qualquer problema.

Uma bela amizade

O Conselho Federal de Enfermagem contratou Weber de Oliveira como palestrante. Custo: R$ 19.380 reais. Nada contra o palestrante, que deve ser ótimo - mas que é também ministro substituto do Tribunal de Contas da União e, portanto, audita as contas do Conselho Federal de Enfermagem, que o contratou. As palestras fazem parte de "serviços técnicos profissionais especializados de treinamento de pessoal a serem prestados pela associação privada Instituto de Magistrados do Distrito Federal" - escolhido sem licitação.

Mas que não se acuse o Cofen de privilegiar magistrados. Outro contratado é Oscar Schmidt, o Mão Santa, figura maior do basquete brasileiro. Para ele, o pagamento é bem melhor: R$ 45.000,00. O presidente do Cofen é Osvaldo Albuquerque Souza Filho. As contratações constam na página 246, seção 3, do Diário Oficial da União nº 222, de segunda-feira, 17 de novembro de 2014.

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