O diabo inflacionista, por Gustavo Franco - DO BLOG DE RODRIGO CONSTANTINO

30/03/2014
 às 11:16 \ Economia

O diabo inflacionista, por Gustavo Franco

Na linha de analogias fáceis de serem compreendidas pelo público leigo em economia, Gustavo Franco faz, em sua coluna de hoje, uma ótima comparação, usando a literatura clássica como base: a inflação é um pacto mefistofélico, ou seja, coisa do diabo mesmo!
Mas o diabo tem nome e sobrenome. A inflação é uma decisão de governo, não algo que vem do além. É tentador apelar para a impressão de dinheiro como fonte de desenvolvimento, e muitos governos, há séculos, caem nesta tentação. Mas é um pacto com o diabo, que não tem como funcionar.
Recomendo a leitura do artigo para que essa importante mensagem fique mais clara. Segue o trecho final:
Em certo momento a hiperinflação assinala o esgotamento da mágica inflacionista, e depois da estabilização o País enfrenta uma crise vocacional. O desenvolvimento baseado nas realidades da economia de mercado e da globalização parece muito trabalhoso; é grande a demanda por mágica, e daí se explica a reincidência recente na direção do velho inflacionismo, ainda que envergonhada e oculta debaixo de uma criativa vestimenta contábil.
Contudo, os velhos truques não funcionam para acelerar o crescimento. O Brasil aprendeu a alquimia da inflação e a repele, ou dela se defende, subtraindo-lhe a eficácia. A tragédia do desenvolvimento de Goethe reside tanto no sucesso dos modelos mefistofélicos – inflacionários, ditatoriais, excludentes etc. – quanto na impunidade de seus meios. Mas o que temos assistido não é isso, mas uma avacalhação sincrética desse enredo: os custos sem o progresso, Mefisto sem o Fausto, desenvolvimento frustrado, pura energia desperdiçada.
A economia heterodoxa de Dilma Rousseff não parece buscar a prosperidade, mas um enfrentamento conceitual, uma tentativa de provar que o progresso pode ser obtido mediante maus tratos sistemáticos ao capital, como quem quisesse exibir as contradições do capitalismo de um novo prisma. É claro que a tentativa falhou, e falhará sempre. A heterodoxia sem o diabo do inflacionismo é uma equação que não fecha, uma arremedo de ilusionismo, uma perda de tempo e dinheiro.

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