22/09/2013
 às 10:27 \ Feira Livre

‘O tempo e o lento’, por Carlos Brickmann

Na quarta-feira, o ministro Celso de Mello votou pela aceitação dos embargos infringentes. E agora? Agora é esperar o acórdão (que sai algum dia desses), depois a apresentação dos embargos propriamente ditos, os embargos de declaração a respeito dos embargos, a análise do relator, os votos. No meio, as longas férias do Supremo. Mas o futuro a nós pertence: em data a ser definida, virá a sentença.
Novela? Não sejamos injustos: a novela mais longa da TV brasileira, Redenção, na Excelsior, teve 596 capítulos e ficou no ar de 16 de maio de 1966 a 2 de maio de 1968. Apresentava um elenco monumental, em qualidade e quantidade: Francisco Cuoco, Miriam Mehler, Fernanda Montenegro, Márcia Real, Vicente Leporace, Lourdes Rocha, Rodolfo Mayer, Lélia Abramo, Armando Bógus, Aparecida Baxter, Procópio Ferreira, Geórgia Gomide, Fernando Baleroni, Verinha Darcy, e outros artistas de primeira linha. O julgamento do Mensalão já levou mais que o triplo do tempo da mais extensa das novelas da TV; e, mesmo considerando-se as substituições, por aposentadorias ou morte, seu elenco nunca chegou ao tamanho do grupo de astros reunido pelo diretor Waldemar de Morais.
E vai demorar. Um repórter que leve cinco dias para redigir algo como um acórdão não terá emprego (um redator bem mais rápido do que isto, mas menos veloz que os colegas, recebeu o apelido de Lauda 1). Em nenhuma outra profissão um trabalho tão importante é tão interrompido por férias, feriados, recessos.
Amanhã vai ser outro dia. Outro dia igualzinho, sem conclusão do processo.
As brasas ressurgem
Delúbio Soares, um dos condenados do Mensalão, pretende festejar a aceitação dos embargos infringentes com um churrasco na fazenda da família, em Buriti Alegre, Goiás. Festa assim não ocorria faz tempo, desde antes da descoberta do escândalo. Quando Delúbio era ainda tesoureiro do PT, seu churrasco de aniversário atraiu 18 jatinhos a festa na fazenda. Um deles, ao levar a São Paulo o deputado do PR Valdemar Costa Neto (hoje também condenado pelo Mensalão), derrapou na pista de Congonhas e acertou um carrinho de pipoca fora do aeroporto.
Foi assim que os não iniciados souberam da grande festa companheira.
Cala que eu te escuto
O ministro do Trabalho, Manuel Dias, do PDT, andou balançando no cargo, depois que várias pessoas bem colocadas no Ministério, ou bem relacionadas com ele, viraram alvo da Polícia Federal, por acusações diversas, todas ligadas a enfiar a mão onde não deviam (uma das acusadas é a esposa do ministro, Dalva Dias). O ministro ameaçou, caso fosse afastado do cargo, tomar providências “impublicáveis”. Logo depois o Governo reafirmou sua confiança em Dias.
Mas, se o ministro sabe de algo irregular, tem obrigação legal de fazer a denúncia. Ou estará prevaricando, violando a lei. A ameaça que fez para manter-se no cargo também é estranha à legalidade e ao comportamento que se espera de um político. Os franceses poderiam até, fazendo biquinho, chamá-la de chantage.
Lobão quinzenal
O cantor, compositor, apresentador de TV, polemista e escritor de sucesso João Luiz Woerdenbag Filho, Lobão, é o novo colunista da revista VEJA, onde será publicado quinzenalmente. Lobão, duro crítico das modas culturais e do atrelamento da cultura brasileira às verbas oficiais, publicou em pouco tempo dois livros que tiveram vendas excepcionais: Lobão Elétrico, com o jornalista Cláudio Tognolli, eManifesto do Nada na Terra do Nunca.
Não se pode confiar
Uma história bem Brasil: Marcos Ferreira da Cunha pagou Geraldo Aparecido da Silva e Osmar José de Souza para garantir sua aprovação em concurso público para soldado da PM goiana. O pagamento foi dividido em duas parcelas: R$ 4 mil antes do concurso, R$ 4 mil após a aprovação.
Só que os vendedores foram presos depois de receber a primeira parcela e antes do concurso, por estelionato. Cunha não se conformou: entrou na Justiça pedindo a devolução do valor já pago. Ganhou uma liminar, mas perdeu no mérito: segundo a juíza relatora, não teria sido enganado se não tivesse intenção de fraudar o concurso.
Zé Rico e Zé Riquíssimo
O cantor sertanejo Zé Rico (que forma dupla com Milionário) decidiu entrar na política. Filiou-se ao PMDB de Goiás, levado pelo empresário que pretende candidatar-se ao Governo, o riquíssimo Júnior do Friboi. Zé Rico não disse se pretende ou não candidatar-se a algum posto. E Júnior do Friboi, embora tenha recursos financeiros para disputar o Governo e vontade de fazê-lo, ainda não conseguiu convencer o deputado Íris Rezende, cacique maior do partido, a desistir de sua própria candidatura e apoiá-lo.
De qualquer forma, o favorito na disputa é o adversário principal de Júnior e Íris, o governador tucano Marconi Perillo.
As armas à mão
Uma empresa de vigilância de São Paulo, a Capital, foi assaltada por bandidos que levaram 500 armas, munição e coletes à prova de bala. Detalhes: a empresa estava inativa há seis meses, a Polícia Federal sabia, e o prédio com as armas era guardado por um vigia, que havia saído para ir ao médico e não tinha substituto.

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