VACAS SAGRADAS

Niemeyer era um arquiteto mundialmente famoso. E um homem talentoso, decerto. Não sou especialista no assunto, mas há controvérsias, como ademais em tudo na vida. Dizem que sua arquitetura é essencialmente monumental. Que suas construções são, em sua grande maioria, digamos, desconfortáveis. ou não funcionais. Particularmente, nunca vi uma casa arredondada prestar. Ou que o concreto seja um material condizente com nosso clima tropical. Mas isso não é a questão, como disse não sou especialista no assunto. Aqui me refiro a pessoas que pensam que algumas pessoas são incriticáveis, digamos assim, por serem talentosas. 
Alguns jornalistas fizeram a ele críticas a respeito de seu posicionamento político, ou seja, de seu comunismo renitente. E nesta questão, Niemeyer não passava de um cacareco político e ideológico. Uma vergonha. Defender Stálin, seria  mesmo que defender Hitler. Não tem defesa. Defender a ditadura cubana considero ainda pior do que defender Pinochet. Que, aos trancos e barrancos, passou o poder aos civis. Já Fidel vai morrer de velho, e transição democrática nem pensar. O poder está nas mãos do irmão, comandante da repressão perpetrada pelo partido comunista, o único permitido. Lá a oposição se reúne em terrenos baldios. Só faltaria o velho Nélson Rodrigues para entrevistar os pobres oposicionistas cubanos também chamados de dissidentes, num terreno baldio.
Um velho tio meu, comunista de carteirinha,  já falecido, que adorava música e tinha uma maravilhosa discoteca, para provocá-lo, perguntei se tinha um disco e Célia Cruz, uma anti-castrista de carteirinha, mas grande artista. Ele logo reagiu, vociferando que aquela não entrava em sua casa, chamando-a de prostituta, o que ademais já não teria nada a ver, pois muitos grandes artistas, que nunca foram santos ou freiras, nunca deixaram de ser talentosos. Peguei meu velho tio de surpresa, dizendo que , no caso ele me desse sua coleção de Astor Piazzola, que, pelo menos no início tinha apoiado a ditadura militar argentina, de tristíssima memória para os portenhos , e mais uma na nossa conta, os chamados latino-americanos. Claro que ele não me deu a coleção, mas  mudou logo de assunto.
De uma maneira geral, ideologia não tem nada a ver com o talento. Muitos escritores, cantores, teatrólogos, e artistas afins, apoiavam governos, ou sistemas políticos dos mais díspares, sem perder o talento. Na verdade essa gente nem devia falar em política, tal a quantidade de besteiras que dizem. O finado Glauber Rocha amava o general Golbery, a quem chamava de "gênio da raça". Chico Buarque acha Cuba uma maravilha de democracia. Gilberto Gil ama Lula, de quem já foi ministro. Vicente Celestino Cantava loas de Getúlio Vargas, nos tempos da ditadura do estado novo. Portanto, nada de mal, chamar Niemeyer de cacareco político. Para quem amou Stálin, é até uma forma carinhosa de o chamar. É ou não é?

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