A MORTE DO ARQUITETO


Morreu, aos 104 anos, o famoso arquiteto Oscar Niemeyer. Desde pequenos, ouvimos falar dele, sobretudo pelas monumentais edificações da cidade de Brasília, uma espécie de retrato futurista do Brasil. Lembro-me do lançamento da bicicleta monark brasiliana, com a logomarca imitando os arcos dos palácios brasilienses, bem como nos pacotes de biscoitos pilar, tinha, se não me engano um tipo "Brasília". Enfim, Brasília representava o Brasil do futuro, próspero e pacífico, um grande país enfim. 
Passou o tempo, e a Brasília oficial foi cercada por favelões, e é aonde se encontra os milhares de pobres em busca de um lugar ao sol, contrastando com a visão autocrática dos tecnoburocratas, que de lá aprofundaram as desigualdades deste país, sempre do futuro. 
A construção de Brasília foi um verdadeiro assalto aos cofres públicos, a muita gente ficaria rica com o empreendimento, como desde o sempre, nos negócios que envolvem nosso estado patrimonialista. No início de sua construção, carregavam tijolos de avião, e criaram uma espécie de ministério, a NOVACAP, para gerenciar o empreendimento. O objetivo geopolítico era centralizar a administração do país, e a ideia era tão antiga quanto o Brasil. S era para centralizar, por que não Goiania? Ou mesmo Goiás Velho, com sua natureza rural e bucólica? Mas o déficit público começou a estourar com a construção da cidade, que não tem esquinas, e é difícil empreender manifestações populares. É uma cidade de características autoritárias, com enormes palácios e monumentos de concreto, destinada a ser a capital de um país de um futuro que sempre está por vir. 
De Niemeyer, conheci a igrejinha da Pampulha em Belo Horizonte. Não achei grande coisa, e lá dentro é um forno. Dizem as más línguas que as edificações do arquiteto, são , digamos , no mínimo disfuncionais, em outros termos, desconfortáveis. Mas plasticamente são belas obras, e o arquiteto também construiu inúmeras edificações no exterior, sobretudo na França, onde projetou a sede do então partido comunista francês, que nem sei se existe ainda.
Politicamente era comunista, quando o grosso da esquerda era também. O problema é que continuou comunista até o fim, não desenvolvendo nenhuma forma de autocrítica sobre  facínoras, como Stálin que fervorosamente apoiou. No Brasil permaneceria leal ao dirigente comunista Luís Carlos Prestes até a sua morte, quando o mesmo, seguindo fielmente a ótica de Moscou, classificava como loucos, os dissidentes. Porém tinha uma visão messiânica da política, era enfim uma espécie de crente no iluminismo materialista marxista, tendo sua santíssima trindade formada por Marx, Engels, Lênin, e pelo menos num momento, Stálin.  
Mesmo com mais de cem anos, continuava produzindo intensamente.  Mesmo ateu, projetou a belíssima catedral de Brasília, e outro monumentos religiosos. Era um dos remanescentes vivos, daqueles conturbados tempos do período entre-guerras, em que a falta de crença na democracia e no liberalismo cederia espaço para o fascismo e o comunismo, ambos de feições marcadamente totalitárias. Aliás o totalitarismo foi realmente inventado por Lênin, no processo de formação da extinta União Soviética, de triste memória para toda a humanidade. Bem, mas disso falaremos outras vezes. Saravá. Que Deus proteja a alma do velho Oscar. 

Um comentário:

  1. Parabéns professor, uma matéria muito especial o senhor postou em seu blog, creio que estar melhorando. Siga assim que você chega longe... Parabéns.

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