O irresistível ditador norte-coreano Kim Jong-un
O PC chinês é um partido cinzento. Não pegou ou ignorou o sarcasmo do jornal satírico americano The Onion, que anunciou ao mundo a escolha do jovem ditador norte-coreano Kim Jong-un, 29 anos, como o “homem mais sexy do mundo” em 2012.
O site do jornal do partidão, Diário do Povo, mandou bala (atenção, metáfora irônica) com uma galeria de 55 fotos do garotão sexy, viril e virtuoso da Coreia do Norte, reproduzindo os dizeres do Onion de que “com este rosto redondo devastadoramente bonito, seu charme pueril e seu físico forte e resistente, este galã de Pyongyang torna realidade o sonho de toda mulher”.
Diário do Povo omitiu que outros vencedores na lista do Onion de homem mais sexy do mundo já foram Bashar Assad, Bernard Madoff e o “Unabomber” Ted Kaczynski. O site precisou asssinar o atestado de ridículo e na quarta-feira removeu a história. Mas todos nós devemos pegar a seriedade das ameaças do nada sexy regime norte-coreano. De acordo com revelações do jornal não satírico The Wall Street Journal, Pyongyang continua com o fornecimento ilegal de tecnologia de mísseis e armas para a Síria de Bashar Assad, sob a administração do garotão Kim Jong-un.
As revelações dissipam as esperanças de que haveria moderação das atividades de proliferação da ditadura norte-coreana. A divulgação destas más notícias acontece em meio aos temores de que o regime comunista esteja preparando o lançamento do seu segundo míssil de longo alcance desde que Kim Jong-un ascendeu ao poder no final de 2011.
A Coréia do Norte, que já tem a bomba atômica, é um dos melhores (e poucos) parceiros da Síria e contribuiu para o desenvolvimento do seu programa de armas químicas e de mísseis, mesmo com a intensificação da guerra civil. Inspetores das Nações Unidas acreditam que Pyongyang ajudava o regime sírio a construir secretamente o reator nuclear no leste do país, cujas instalações foram destruídas por jatos israelenses em 2007.
Falando em ditaduras com programas nucleares secretos, o Onion também enganou o Irã este ano, quando a agência “noticiosa” Fars reproduziu a história da publicação satírica americana sobre uma pesquisa concluindo que mais americanos da zona rural votariam em Mahmoud Ahmadinejad para presidente do que para Barack Obama. Mais tarde, a agência pediu desculpas por ter caído na cascata, mas insistiu que Ahmadinejad era mais popular do que Obama.
Estas ditaduras comunistas e teocráticas matam e as vezes nos matam de rir.
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Espero que os leitores entendam, mas só posso dar a colher de chá para os editores do Diário do Povo. Sem eles, esta coluna não existiria.

Por Caio Blinder

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