Vitória esmagadora da direita na Espanha; socialistas obtêm pior resultado desde a redemocratização do país


Mariano Rajoy beja sua mulher, Elvira Fernández, na sede do PP, comemorando vitória esmagadora do seu partido (Foto: Gorka Lejarcegi)


Mariano Rajoy beja sua mulher, Elvira Fernández, na sede do PP, comemorando vitória esmagadora do seu partido (Foto: Gorka Lejarcegi)
Traduzi longos trechos da reportagem de José Manuel Romero no jornal espanhol El País:
A pior crise econômica desde a redemocratização e a gestão fracassada do governo socialista, que iniciou a legislatura com dois milhões de desempregados e o deixa com cinco milhões, deu ao Partido Popular a maioria absoluta e liberdade para tirar a Espanha do fundo do poço, em meio ao vendaval. O novo primeiro-ministro, Mariano Rajoy, vai governar com o apoio de 186 deputados, acima do número obtido por José María Aznar em 2000, contra 110 escassos deputados do PSOE, o pior resultado desde a redemocratização.
Em sua primeira aparição depois de saber da vitória esmagadora, Rajoy demonstrou um euforia contida diante de milhares de pessoas que foram à sede do partido, em Madri, comemorar o resultado. “Governarei sem sectarismo. Ninguém tem de ficar preocupado”, afirmou. Com a promessa de trabalhar a partir de amanhã para colocar a Espanha “no topo da Europa”, Rajoy admitiu que, dada a delicada situação financeira do país, não pode prometer “milagres”. E convidou tanto seus eleitores como os não-eleitores a participar da mudança.
Essa vitória retumbante — até hoje, havia o registro de três maiorias absolutas em 10 eleições gerais —  dá ao PP o poder absoluto na Espanha. Terá o comando do governo central, de 11 das 17 “Comunidades Autônomas” [mais ou menos o correspondente aos "estados no Brasil] e de metade dos municípios. O naufrágio do PSOE, que tinha 13 pontos percentuais a mais no início do processo eleitoral (caiu de 43% para 30%) impulsionou a maioria absoluta do PP, que chegou a 44%, oito pontos a mais do que em 2008.
Rodeado por alguns dos seus partidários, Alfredo Perez Rubalcaba admitiu na noite deste domingo a derrota socialista. “Perdemos claramente a eleição”. Por volta das 22h30 [hora local], depois de reconhecer que o adversário tinha sido o vitorioso, o socialista compareceu à sede do PSOE, na rua Ferraz, para anunciar que propôs ao secretário-geral do partido, José Luis Rodriguez Zapatero [primeiro-ministro que perde o cargo], a convocação de um congresso para discutir o futuro do partido depois do desastre eleitoral.
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O líder do PP chegou ao topo com um discurso cheio de propostas ambíguas, baseado num programa intencionalmente indefinido, que agora terá de se revelar. Os primeiros dias de Rajoy no comando do governo, a partir da segunda quinzena de dezembro — caso não haja nenhum acordo com os socialistas para antecipar a posse — serão particularmente intensos e complexos. Com a Espanha perto da insolvência e os mercados reclamando mais cortes de gastos, o líder do PP terá de resolver em duas semanas o reajuste de 8,5 milhões de pensões, decidir o salário de 3,1 milhões funcionários públicos (cortados e congelados há um ano e meio) e, num prazo um pouco mais longo, mas não muito, onde meter a tesoura para cortar, no próximo ano, pelo menos 16 bilhões de euros para reduzir o déficit público a 4,4% [do PIB] e cumprir, assim, os compromissos com a União Européia.
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Na primeira vez em que o PP chegou ao governo central, em 1996, José María Aznar prometeu, na posse, reduzir o déficit para 3% (na época, estava em 4,4%), para atender, então, a exigências da União Européia. A tarefa de Rajoy agora é parecida, mas numa situação muito mais difícil.
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Inútil voto útil
Foi inútil a estratégia socialista de pedir o voto útil das esquerdas para o PSOE e martelar que a volta do PP ao poder poria em perigo o poder de compra dos pensionistas, o seguro-desemprego e os direitos civis. O contínuo aumento do desemprego há três anos, até atingir 5 milhões de cidadãos desempregados, foi uma pedra pesada demais para os socialistas. O baque sofrido em maio, nas eleições municipais e nas Comunidades Autônomas, quando o PSOE perdeu o poder regional — e boa parte dele para o PP —, era um anúncio do desastre deste dia 20.

O último esforço do candidato socialista, que pediu em comícios que os espanhóis não dessem o “poder total” ao PP não surtiu efeito junto ao eleitorado. Nos três próximos anos, a Espanha será quase governada por um único partido.
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Por Reinaldo Azevedo

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