"Reformas e os contrarreformas", por Gustavo Krause


Com Blog do Noblat - O Globo


Como vencer um debate sem precisar ter razão e Como mentir com estatísticas são obras que poderiam servir de manuais para o debate político no Brasil atual.
O autor do primeiro livro é o filósofo Arthur Schopenhauer cuja obra O mundo como vontade e representação o coloca no panteão do idealismo transcendental kantiano e como notável referência do pessimismo filosófico.
Segundo Olavo de Carvalho, no autêntico estilo ame-o ou deixei-o e com habitual profundidade analítica, em notas e comentários, o Como vencer um debate sem precisar ter razão (Topbooks, 1997) “é um tratado de patifaria intelectual, não para uso dos patifes e sim de suas vítimas, isto é, nós, o povo [...] Ensina a reconhecer e a desmontar as artimanhas do debatedor capcioso – o sujeitinho que nada tendo a objetar seriamente às razões do adversário, procura apenas desmoralizá-lo ou confundir a plateia para fazer com que o verdadeiro pareça falso e o falso verdadeiro [...] No Brasil de hoje, a edição deste livro é um empreendimento de saúde pública”.
De fato, o filósofo alemão define a Dialética erística com “a arte de discutir de modo a vencer por meios lícitos ou ilícitos”; enumera e discorre sobre 38 estratagemas.
O segundo livro, edição digital (Intrínseca, 2016), de Darrell Huff, publicado nos EUA, em 1954, arrola nove manobras estatísticas e, no capítulo 10, explica como encarar e derrubar estatísticas falsas, dando razão a Disraeili que dizia: “Existem três tipos de mentiras: as mentiras, as mentiras deslavadas e as estatísticas”.
No nosso país, o voluntarismo ideológico e a radicalização política estão mais para o embate do que para o debate; mais para o “gritálogo” do que para o diálogo; mais para o confronto belicoso do que para a discussão civilizada. E quando se trata da agenda de reformas, as forças dos contrarreformas afrontam o interesse nacional.
No caso da reforma da previdência, nega-se o “mundo como um conjunto de fatos”. Não importam dados: em 2017, gastos previdenciários de R$ 671 bilhões, 10% do PIB e um déficit de R$ 190 bilhões.
Por fim, um dado demográfico eloquente: o aumento da expectativa de vida para 75,8 anos e o rápido envelhecimento da população brasileira frente à taxa de fecundidade de 1,74. Tudo mais é a dialética do cinismo.
E o futuro? Sem reforma, seremos um enorme Rio de Janeiro sem as bênçãos do Cristo Redentor.
Reforma (Foto: Arquivo Google)

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