FILIPE G. MARTINS - EXIBINDO AS ENTRANHAS DO PODER

Da página do Filipe G. Martins :
EXIBINDO AS ENTRANHAS DO PODER
Se alguma coisa podemos aprender com a ascensão do UKIP no Reino Unido, com a candidatura de Donald Trump nos Estados Unidos e, dentre outros exemplos, com a emergência de uma direita desorganizada no Brasil, é que o surgimento de uma nova força política sempre acaba por expor a verdadeira natureza de um regime e, consequentemente, dos grupos que o controlam.
Clausewitz dizia que a política é a continuação da guerra por outros meios, e, em que pese ouvirmos com certa frequência que isso não passa de uma metáfora inteligente, acredito que o general prussiano nos ofereceu uma das descrições mais exatas da política moderna.
Nas democracias ocidentais, a política normalmente se reveste de um manto de civilidade que, apesar de estar brutalmente distante da realidade e talvez justamente por isso, serve apenas para encobrir sua verdadeira natureza e para impedir que as pessoas comuns e os outsiders vejam além das externalidades, frustrando-os de enxergar o que está por trás da aparência de normalidade com que os detentores do poder ocultam os meios, mais do que sórdidos, que utilizam para se manter no poder: o controle hegemônico, a mentira, a dissimulação, a trapaça, a manipulação, a pilhagem, a corrupção, o homicídio... a lista é infindável.
Essa realidade oculta é exposta quando surgem novas forças políticas porque, quando o são de fato novas, estas forças surgem sempre como expressão de um grupo de outsiders que jamais será capaz de chegar ao poder se aceitar os métodos "civilizados" daqueles que está a desafiar, e que, portanto, terá de expor publicamente a violência e a feiura escondidas por trás de todo o aparato de ocultação, revelando as condições concretas que corroem os próprios valores que o establishment dissimuladamente diz defender.
Assim, com a ascensão do UKIP, o povo britânico e europeu é exposto à arrogância centralizante da União Européia; com a candidatura de Trump, os americanos são confrontados com a corrupção inimaginável não apenas dos Clintons e dos Obamas, mas do establishment como um todo; e, com a emergência da direita brasileira, nosso povo começa a ter, pela primeira vez, um pequeno vislumbre da sórdida e intrincada estratégia que permitiu à esquerda estabelecer sua hegemonia cultural e, com isso, dominar as mentes até mesmo daqueles que nos dominam politica e estatutariamente: os membros do velho estamento burocrático.
Nenhum desses processos está concluído. O UKIP ainda precisa ver o Brexit tornar-se realidade; Donald Trump ainda precisa consolidar o seu poder e superar uma série de desafios; e a direita brasileira tem pela frente um universo de afazares, a começar pela sua organização interna e pela luta por seu direito de existir. Em todos estes casos, porém, o êxito só será possível mediante o reconhecimento de que os grupos que controlam o poder não são onipotentes nem anti-frágeis, que a maior força deles é também sua maior fraqueza, e que, como ensinam Bertrand De Jouvenel e Olavo de Carvalho, o poder pode mudar sua aparência mas jamais a sua realidade – em outras palavras, é necessário fazer da denúncia da natureza do poder de nossos inimigos a nossa maior arma, esmagando as aparências e tornando, exibindo as entranhas do poder e tornando a realidade visível a todos.

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